PONTO MORTO



O simbólico abstrato presente na cenografia da peça Ponto Morto, em cartaz no Espaço Porão, do Teatro Sérgio Cardoso, sugere de imediato o clima interior do texto de Hélio Sussekind. 
Pai e filho caminham e se arrastam na tentativa de encontrar autonomia da interdependência em que se encontram causada pela síndrome do espectro autista do filho. O texto é denso e os diálogos fortes. Enquanto vagam pelo vazio obscuro de uma floresta, o pai tenta a todo custo proteger seu filho dos curiosos da cidade.
Os personagens se questionam sobre o desejo e a necessidade de um pelo outro, deixando transparecer nas entrelinhas um amor delicado e comprometido, apesar do desgaste emocional e físico do pai.  Este é um drama no sentido pleno da encenação teatral, mas também a realidade de muitos pais e filhos que o vivem cotidianamente. 
No centro está a busca vital da liberdade de cada um, mas não a encontram porque se desejam incondicionalmente. 
Marat Descartes, no papel de filho e Luciano Chirolli, no papel de pai, constroem personagens convincentes. Cenografia, iluminação e ocupação do espaço cênico é um todo coeso. Tudo é muito denso neste espetáculo, tudo é muito terno, tudo é muito pessoal, tudo é muito universal. É preciso assistir e discutir. Não adianta descrever, é como chupar laranja: quem nunca experimentou uma, não sabe o sabor. 

Por: Itabira Jonas

Autor: Helio Sussekind
Direção: Camilo Bevilacqua e Denise Weinberg
Elenco: Marat Descartes e Luciano Chirolli
Iluminação: Wagner Pinto
Figurinos: Helena Afonso
Cenários: Chris Aizner
Trilha sonora: Tunica
Produção: Marcella Guttmann
Assessoria de Imprensa: Marra Comunicação
Realização: Fixação Marketing Cultural

Teatro Sérgio Cardoso
Rua Rui Barbosa, 153 - São Paulo
terças, quartas e quintas - 11 a 29 de agosto

R$60,00 e R$30,00 

06, 25, 26 e 27 de julho e 22 e 23 de agosto não haverá espetáculo

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