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Mostrando postagens de agosto, 2017

PONTO MORTO

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O simbólico abstrato presente na cenografia da peça Ponto Morto, em cartaz no Espaço Porão, do Teatro Sérgio Cardoso, sugere de imediato o clima interior do texto de Hélio Sussekind.  Pai e filho caminham e se arrastam na tentativa de encontrar autonomia da interdependência em que se encontram causada pela síndrome do espectro autista do filho. O texto é denso e os diálogos fortes. Enquanto vagam pelo vazio obscuro de uma floresta, o pai tenta a todo custo proteger seu filho dos curiosos da cidade. Os personagens se questionam sobre o desejo e a necessidade de um pelo outro, deixando transparecer nas entrelinhas um amor delicado e comprometido, apesar do desgaste emocional e físico do pai.  Este é um drama no sentido pleno da encenação teatral, mas também a realidade de muitos pais e filhos que o vivem cotidianamente.  No centro está a busca vital da liberdade de cada um, mas não a encontram porque se desejam incondicionalmente.  Marat Descar...

KIEV UM CIRCO DE HORRORES

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Coincidência ou não, estreou no bairro do Ipiranga, em São Paulo, lugar da Independência do Brasil, o espetáculo teatral Kiev, texto do argentino Sergio Blanco, direção de Roberto Alvim. A impressão é que esse espetáculo vem como releitura da recentíssima história do Brasil. A cenografia conduz o espectador a Kiev, capital da Ucrânia na antiga União Soviética, de onde uma família expulsa de sua casa por força da repressão política, volta após a queda do regime estabelecido em 1917.  A casa e uma piscina cheia de cadáveres putrefatos é o cenário onde  se desenrola a discussão sobre o regime totalitário, proporcionando elementos para que o espectador reflita sobre poder e totalitarismo. A discussão e o desejo de encobrir o passado e as novas promessas de liberdade e justiça do novo regime que se impõe espelham sem dúvida os movimentos e propostas de renovação que são revestidos sempre por um pseudo favorecimento à população. Lembrando o ditado português: " Tudo com...