PONTO MORTO
O simbólico abstrato presente na cenografia da peça Ponto Morto, em cartaz no Espaço Porão, do Teatro Sérgio Cardoso, sugere de imediato o clima interior do texto de Hélio Sussekind. Pai e filho caminham e se arrastam na tentativa de encontrar autonomia da interdependência em que se encontram causada pela síndrome do espectro autista do filho. O texto é denso e os diálogos fortes. Enquanto vagam pelo vazio obscuro de uma floresta, o pai tenta a todo custo proteger seu filho dos curiosos da cidade. Os personagens se questionam sobre o desejo e a necessidade de um pelo outro, deixando transparecer nas entrelinhas um amor delicado e comprometido, apesar do desgaste emocional e físico do pai. Este é um drama no sentido pleno da encenação teatral, mas também a realidade de muitos pais e filhos que o vivem cotidianamente. No centro está a busca vital da liberdade de cada um, mas não a encontram porque se desejam incondicionalmente. Marat Descar...