OPINIÃO
Ouviu-se por todo o Brasil, um brado de justiça
durante o julgamento de um ex-presidente. Que a justiça seja feita, esse é o
anseio. No entanto, nem sempre a justiça feita é a ideal, principalmente quando
feita parcialmente e a sujeira grossa é jogada para baixo do tapete.
O político brasileiro, herdeiro do regime das
Capitanias Hereditárias, aprendeu que a política não é serviço em favor da
sociedade que a autoriza; sorrateiramente, os que foram empregados na função
política se sentem no direito de se fazerem “proprietários de um produto” que
não lhes pertence.
O ofício político, na grande maioria das vezes,
converte a dimensão do serviço em servir-se e corromper-se para que tudo se
mantenha; a carnavalização da realidade transforma os que deveriam ser
favorecidos em “meros e infiéis devedores” de um ônus instituído pelos
servidores políticos favorecendo o crime de corrupção. Na verdade é lobo
comendo lobo, político comendo político. Nesse campo de batalha acontece toda a
manipulação e fica estabelecido o “faz de conta” que as contas foram acertadas
e a justiça foi feita.
Nesta semana, li essa frase atribuída a Woody
Allen: “a vantagem de ser inteligente é que
podemos fingir que somos imbecis, enquanto o contrário não é possível”. Tenho
feito essa opção diante do quadro que se apresenta. Prefiro me esconder detrás
do que outros atribuem como imbecilidade ou alienação a sair por ai dizendo meias
verdades ou apoiando pseudo justiças que estão sendo propagadas sem o menor
critério ou leitura além da letra impressa. Falta integridade moral e a pior
delas é a da compreensão para a busca e o estabelecimento do bem maior. É
torcida que se fortalece nos “achismos”. É tudo muito leviano, tudo muito
superficial.
Enquanto a imbecilidade acredita que tudo foi
feito, porque o circo baixou o pano, tudo segue como sempre esteve. O cenário
da justiça parcial não transforma, favorece interesses, não salva, mata.
Pergunto para mim mesmo, porque essa opinião é só minha: Acabou a corrupção? E
os outros investigados serão julgados? Condenados? Deixarão a vida pública? E o
Brasil como fica? E a nomeação, na calada da noite durante o julgamento do
ex-presidente, de uma ministra condenada, a quem favorece? E os investigados
pela justiça Brasil afora? E o “presidente” em viagem e poupado de
investigação? Como ficam nossos jovens? E os pobres sem escola, sem saúde e sem
moradia?
A propaganda do “lindo” é metáfora. O lindo contrasta
com os buracos das ruas de nossas cidades. E haja buraco!
Essas são questões de um cidadão, professor,
pai de família e cristão, que aproveita o momento para refletir: “Se a tua
justiça não for superior a dos doutores da lei e dos fariseus não entrareis no
Reino dos Céus”. Jesus Cristo em Mateus
5:20.
Que todo fingidor seja perdoado por sua imbecilidade.
Por: Itabira Jonas
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