POESIA

Poema do Desconhecido

Flui a poesia que não penso escrever,
Pululando desejos que não quero sentir.
Fujo de mim, porque me desconheço,
Na metamorfose que sofri.
Fujo da saudade,
Saudade maldita, maldita saudade,
Que me obriga a olhar para trás
E não me encontrar ali.

Hoje não sou mais eu quem fui,
E tão pouco o que serei.
Sou como lagarta em casulo,
Que espera a luz para planar vôo livre,
Sob o sol de cada manhã de primavera.

De teimosia em teimosia,
De metamorfose em metamorfose,
Sou eu, colcha remendada.
Sou eu.
Sou um em cada novidade de mim mesmo.
Eu que me faço de novo,
Que me perco em saudade,
Na maldita saudade do que um dia fui
E não me lembro mais.


Itabira Jonas

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